Descrição: Em No País dos Ianques, Adolfo Caminha registra uma Coney Island de hotéis móveis, edifícios extravagantes, música e multidões.
No fim do século XIX, Coney Island já era um dos grandes centros de diversão dos Estados Unidos. Hotéis, cervejarias, brinquedos, música, piqueniques e multidões compunham uma paisagem que parecia desafiar os limites do possível.
Foi nesse cenário que o escritor brasileiro Adolfo Caminha encontrou duas construções especialmente surpreendentes: um hotel de madeira instalado sobre uma plataforma móvel e um edifício inteiro em forma de elefante.
Um hotel que podia mudar de lugar
Entre os edifícios observados em Coney Island, Caminha descreve um hotel de madeira construído sobre uma plataforma móvel. O prédio podia ser deslocado sobre trilhos — uma solução tão extraordinária quanto prática diante das mudanças da faixa de areia.
A descrição encontra um paralelo histórico impressionante. Em 1888, o Brighton Beach Hotel foi afastado da linha da praia e transportado inteiro sobre trilhos, numa das operações de engenharia mais célebres da história de Coney Island.
Isso não significa que seja necessariamente o mesmo hotel visto por Caminha. A fotografia histórica, porém, ajuda a compreender o tipo de solução arquitetônica que existia naquele lugar e naquele período.
Um edifício em forma de elefante
O hotel móvel não foi a única construção extraordinária registrada pelo escritor.
Caminha também conheceu o Elephantine Colossus, chamado ainda de Elephant Bazaar: um enorme edifício em forma de elefante que funcionava como atração, espaço de observação e complexo de entretenimento.
Segundo Caminha, a construção possuía 31 compartimentos, 63 janelas e iluminação elétrica.

Uma ilustração publicada pela Scientific American em 1885 mostra a estrutura por fora e em cortes internos, revelando escadas e compartimentos distribuídos pelo corpo do elefante. Preservada pela New York Public Library, ela ajuda a visualizar a escala do edifício descrito por Caminha.
A construção fazia parte de uma Coney Island em que arquitetura, espetáculo e publicidade se misturavam. O próprio edifício era uma atração.
Coney Island como parque de espanto
A força do relato de Caminha não está apenas nas construções extraordinárias. Está também no modo como ele observa a vida ao redor.
Na Coney Island descrita em No País dos Ianques, música, cervejarias, piqueniques, brinquedos e multidões formam uma experiência coletiva intensa. Tudo parece feito para atrair, divertir e surpreender.
Uma estereografia publicada por Underwood & Underwood em 1889 mostra banhistas no mar em Manhattan Beach, parte de Coney Island. Preservada pela New York Public Library, ela oferece um fragmento visual do mesmo universo recreativo registrado no livro.

Coney Island torna-se, no relato do escritor, um verdadeiro parque de espanto: um lugar em que a modernidade se apresenta como espetáculo.
Uma das muitas cenas de No País dos Ianques
O episódio de Coney Island é apenas uma das cenas reunidas em No País dos Ianques.
Ao longo do livro, Adolfo Caminha observa cidades, costumes, tecnologias e contradições dos Estados Unidos do fim do século XIX. Seu olhar combina curiosidade, surpresa e crítica — oferecendo ao leitor brasileiro um testemunho singular daquele período.
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Créditos das imagens
- The Brighton Beach Hotel, Brooklyn, N.Y., being moved away from beach front, 1888. Library of Congress, LCCN 2007664606. Sem restrições conhecidas de publicação.
- The Colossal Elephant of Coney Island, publicado na Scientific American em 11 de julho de 1885. Imagem da New York Public Library; arquivo digital via Rawpixel/Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.
- Underwood & Underwood, In the Surf, Manhattan Beach, U.S.A., 1889. NYPL Digital Collections, Robert N. Dennis Collection. Domínio público nos Estados Unidos.
Aquilo que para nós hoje é documento histórico, para ele era o presente 🙂
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