Há um momento em que é preciso parar.
Parar de reler a mesma página. De trocar uma palavra por outra e depois voltar à primeira. De aumentar um espaço, reduzir outro, mover uma imagem alguns milímetros, conferir novamente um nome, uma vírgula, uma quebra de linha.
Editar também é decidir quando deixar de mexer.
Durante semanas, uma revista existe como possibilidade. Textos chegam, são lidos, escolhidos, revisados. Autores respondem. Novas versões aparecem. A ordem das páginas muda. O que parecia resolvido volta a exigir atenção.
Até que, em algum momento, tudo começa a ocupar o lugar que deveria.
Não significa que desapareça a dúvida. Provavelmente sempre haverá uma palavra que poderia ter sido outra, uma escolha gráfica que admitiria uma segunda solução, uma página que o editor ainda olharia mais uma vez.
Mas chega a hora de aceitar que a edição precisa sair das mãos de quem a preparou.
A segunda edição da Proust Magazine chegou a esse ponto.
Agora ela já não pertence apenas ao processo de edição. Começa a pertencer aos autores que confiaram seus textos à revista e, principalmente, aos leitores que encontrarão sentidos que nós não previmos.
Talvez seja esse o momento em que uma edição fica realmente pronta: não quando já não há mais nada a fazer, mas quando chega a hora de deixá-la seguir.
A segunda edição da Proust Magazine chega ao público em 1º de agosto.
