Uma primeira visita ao texto de Adolfo Caminha e às escolhas que orientam a nova edição da série Vozes do Passado.
“Reproduzir, com a possível exatidão, o que vi, somente o que vi.” Na introdução de No País dos Ianques, Adolfo Caminha apresenta assim o propósito de suas páginas. O relato nasce de um olhar pessoal: a admiração, o estranhamento e as comparações de um escritor brasileiro diante dos Estados Unidos do século XIX.
A edição que a Proust prepara convida a acompanhar esse olhar e a conhecer um Caminha que também foi marinheiro e viajante. O cuidado começa na fonte do texto e continua nas páginas que o leitor terá em mãos.

Um texto preparado a partir da edição de 1894
A edição-fonte é No Paiz dos Yankees, publicada no Rio de Janeiro por Domingos de Magalhães em 1894. O exemplar adotado pertence às University of California Libraries e foi digitalizado pelo Internet Archive. Ele orienta as decisões textuais do trabalho editorial, com confronto de transcrições digitais de acervos públicos.
Identificar essa origem permite ao leitor saber de onde vem o texto que está lendo. A nota da edição apresenta o percurso e explicita os critérios da preparação.
Ortografia atualizada, voz preservada
A grafia foi atualizada segundo a norma vigente no Brasil. O vocabulário, a sintaxe e o estilo de Caminha foram preservados, assim como, tanto quanto possível, sua pontuação. Erros tipográficos inequívocos foram corrigidos e notas pontuais ajudam a situar expressões e referências.
As marcas históricas do relato também permanecem. A nota editorial esclarece a presença de termos e juízos hoje reconhecidos como preconceituosos e os situa como parte do documento de época.

Um prefácio para acompanhar a viagem
O prefácio é de Carlos Eduardo de Oliveira Bezerra, professor da Unilab e pesquisador da obra de Caminha. Sua leitura situa o livro no percurso do autor e chama a atenção para um movimento que atravessa o relato: ao observar os Estados Unidos, o viajante também se volta para o Brasil, pelas comparações e pela saudade.
É uma companhia para a leitura, capaz de aproximar o leitor das circunstâncias e das perguntas do livro.
Imagens e cronologia na experiência de leitura
O volume inclui o retrato de Caminha em xilogravura de Pastor, publicado em A Mala da Europa em 1896, e ilustrações presentes na edição de 1894, como o cruzador Almirante Barroso e a entrada de Nova Orleans. As imagens aparecem com a identificação de suas fontes.

A cronologia reúne acontecimentos da vida e da produção do escritor e registra suas referências. Ela ajuda, por exemplo, a distinguir a viagem de 1886, a redação declarada em 1890 e a publicação do livro em 1894.
Nas amostras digitais, já é possível conhecer o retrato, a abertura da introdução e detalhes da composição. São páginas de uma edição ainda em preparação, oferecidas como um primeiro encontro com a leitura.
No País dos Ianques integra a série Vozes do Passado e terá edição em brochura. Acompanhe a Proust para conhecer outras páginas do volume e receber a comunicação de abertura das vendas.