Uma revista não termina quando o último texto é selecionado.
Depois da leitura e da curadoria, começa outro trabalho. Menos visível, mais minucioso. É o momento de conferir nomes, títulos, itálicos, parágrafos, minibiografias, imagens e páginas inteiras que já pareciam prontas.
Nesta semana, os autores da segunda edição receberam a prova editorial completa da Proust Magazine. Cada um foi convidado a revisar a própria participação, mas também a observar a revista como um todo. Um erro pode estar no nome de alguém, numa quebra de linha, numa palavra repetida ou numa legenda colocada no lugar errado.
Às vezes, o problema é pequeno: uma letra ausente, um espaço a mais, um título sem destaque. Outras vezes, a revisão revela algo menos evidente. Uma imagem que não conversa bem com o texto. Uma minibiografia que ficou longa demais. Um parágrafo que respira mal na página.
A diagramação também é uma forma de leitura. Quando um texto deixa o arquivo isolado e passa a conviver com outros, aparecem relações que antes não estavam visíveis. Um poema muda ao lado de uma imagem. Um conto ganha outro ritmo quando começa numa página ímpar. Um título se fortalece ou desaparece conforme o espaço que recebe.
É por isso que esta etapa exige muitas pessoas olhando para a mesma revista de modos diferentes.
A seleção aconteceu progressivamente ao longo do mês. Agora, o trabalho é outro: verificar, corrigir, alinhar e fechar.
Os autores têm até amanhã para enviar suas observações. Depois disso, reunirei todas as correções e prepararei a versão final da segunda edição.
Uma revista também se escreve assim: palavra por palavra, página por página, até que quase nada mais peça mudança.
